Conheça métodos construtivos da antiguidade que ainda são aplicados em projetos

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Por Cilla Bonfim 

É inegável de que a antiguidade continua e sempre continuará presente em nossas vidas, nos ensinando em muitos aspectos, sejam eles artísticos, sociais/comportamentais e, principalmente, construtivos. De novo, estou eu aqui usando referências romanas para exemplificar nossos hábitos usados em 2020, mas que tiveram início no século VII, na Antiguidade Romana. A estrela da vez é o átrio (do latim; atrium significa preto ou negro, em alusão à fumaça que deixava esse efeito escurecido ao sair do aposento e encontrar o ar livre). Esta genial técnica construtiva era comum nas domus (residências) dos mais abastados, os ricos. O átrio era a parte mais importante da casa: ele funcionava como um grande salão que era abraçado pelos demais cômodos da casa. Enquanto nos tempos de hoje, as portas dos nossos quartos abrem para corredores que, quase sempre, nos fazem dar de cara com a porta de outros dormitórios, nas casas romanas, os quartos saíam diretamente para o atrium.

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Planta baixa de uma domus romana.
Planta baixa de uma domus romana. O Atrium era o salao principal que era abraçado pelas cubicolas (quartos)
FONTE: O móvel dantes e depois

Ele era ricamente decorado com pinturas murais e pavimentação em mosaicos que apresentavam motivos decorativos em preto e branco, pedras maciças ou paginação geométrica. Era composto por uma abertura no teto de nome compluvium (complúvio) e, através desta, gerava luz natural dentro do ambiente. Durante o inverno, o átrio era o espaço mais usada da casa, pois através dele se obtia a passagem do sol, gerando uma atmosfera agradável

Interior de uma casa em Herculaneum
Interior de uma casa em Herculaneum

Interior de uma casa em Herculaneum.
Interior de uma casa em Herculaneum
Fonte: Pinterest

As domus (casas) romanas eram geralmente horizontalizadas com somente 1 andar (isto não era uma regra). Ao adentrar na domus, o visitante passava através do vestíbulo, que hoje é o nosso famoso Hall, o pequeno ou longo corredor que nos leva aos demais aposentos. A diferença está em como a casa era dividida. As saídas dos quartos (chamados Cubiculum ou Cubicola) saiam diretamente no átrio

O trageto em vermelho recria a entrada de uma pessoa até sua chegada ao átrio
O trageto em vermelho recria a entrada de uma pessoa até sua chegada ao átrio
FONTE: Pinterest

O átrio tinha uma importante função além da entrada do sol, ventilação e fazer com que a fumaça que saísse deste aposento, já que no interno também se cozinhava. Sua abertura não possuía cobertura, o que fazia com que a água da chuva tivesse livre passagem para o interior da casa. Esta água era armazenada no Impluvium, um pequeno reservatório com a finalidade de armazenar a água proveniente do compluvium. Em se tratados de romanos, é claro que o impluvium não seria menos suntuoso que o restante da casa. Este tanque era geralmente feito em mármore e alguns possuíam colunas, estatuas nas extremidades ou no centro.

Detalhe de átrio em Pompeia Mulheres em um átrio

Detalhe de átrio em Pompeia Mulheres em um átrio
Detalhe de átrio em Pompeia Mulheres em um átrio
Detalhe de átrio em Pompeia Mulheres em um átrio
Fonte: wikimedia commons

Em 2020, ninguém vive mais como os romanos (a não ser alguém rico suficiente para recriar uma villa romana) e o átrio foi mudando de forma, adquirindo outros aspectos, usando outros materiais, mas mantendo quase intacta a sua função primitiva: trazer luz e servir como um grande salão de encontro para pessoas. Nas construções contemporâneas de prédio cooporativos, shopping centers ou centros educacionais, o impluvium (o tanque que armazenava a água da chuva) já não existe mais e deu espaço para uma pavimentação nivelada e abertura de teto coberta com material translucido.

Atrio do Mulan Weichang Visitor Centre
Atrio do Mulan Weichang Visitor Centre
Atrio do Mulan Weichang Visitor Centre
Atrio do Mulan Weichang Visitor Centre
Fonte: Archdaily

Nas residências atuais, o impluvium muitas vezes é convertido em um lindo jardim envolto em paredes de vidro, deixando entrar a luz natural e junto com ela a vegetação, fazendo com que os moradores tenham contato direto com a natureza dentro do próprio lar. Já é comprovado que as plantas, em geral, têm o poder de embelezar ambientes, purificar o ar e algumas amam o ambiente doméstico, como samambaias, suculentas, luca e palmeira-leque.

Figura Villa Mosca Bianca por Design Haus Liberty
Figura Villa Mosca Bianca por Design Haus Liberty
Figura Villa Mosca Bianca por Design Haus Liberty
Fonte: Dwell
Jardim envolto em paredes de vidro, deixando entrar a luz natural e junto com ela a vegetação.
Air Lux Atrium Villa - Jardim envolto em paredes de vidro, deixando entrar a luz natural e junto com ela a vegetação.
Air Lux Atrium Villa
fonte Architonic
Casa em Viev - Jardim envolto em paredes de vidro, deixando entrar a luz natural e junto com ela a vegetação.
Casa em Viev
fonte Behance

E aí, ficou com vontade também de ter uma casa com um átrio? Porque eu quero!

Cilla Bonfim é formada em design de interiores pela Universidade Veiga de Almeida, trabalha com modelagem 3D de produto e presta consultoria social em interiores para pessoas com baixo poder aquisitivo. Desenvolve e disponibiliza material digital gratuito para arquitetos e designers de interiores, é amante de história da arte e do classicismo contemporâneo no design

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Lilian Santos

Lilian Santos é formada em Design de Interiores e Marketing, trabalhou durante 07 anos em lojas especializadas em revestimentos, fez diversos cursos e treinamentos do segmento e resolveu pegar todo o seu conhecimento e criar o Revestindo a Casa para compartilhar dicas técnicas, que hoje ajuda milhares de pessoas. Ela desenvolve conteúdos para o digital, treinamentos para empresas do segmento, palestras e consultorias. Ah ela adora dar boas risadas, sempre tenta ver o lado bom das coisas e ama viajar.

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