Uma das causas mais comuns de estresse no pós-obra são as rachaduras ou trinca no piso. Afinal, os revestimentos representam uma porcentagem considerável do orçamento e qualquer erro na sua instalação pode levar à perda de uma peça ou até de toda a superfície, exigindo a substituição do piso.
O Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias (IBAPE) classifica essas aberturas em diferentes tipos, sendo:
- Fissura: até 0,5 mm;
- Trinca: de 0,5 a 1 mm;
- Rachadura, de 1 a 5 mm;
- Fenda, de 5 a 10 mm;
- Brecha, acima de 10 mm.
Em todos os casos, além do comprometimento estético do piso, essas aberturas são indicativos de que algo não está certo estruturalmente e podem evoluir para problemas ainda maiores.
Causas comuns
A principal causa para trinca no piso é um fenômeno natural chamado movimentação técnica, que sempre deve ser previsto pela mão de obra. Trata-se de um princípio físico no qual a variação de temperatura provoca a dilatação e contração da maioria dos materiais que conhecemos. Em um dia muito quente, por exemplo, eles tendem a dilatar. Já nos dias frios, contraem.
Essa movimentação térmica impacta diretamente no assentamento do revestimento, sendo o principal fator no cálculo das juntas. Como nem todos os revestimentos podem ser assentados lado a lado, na chamada junta seca, o rejunte é responsável por preencher este espacinho da emenda, garantindo que a peça não trinque ou crie dentes nesta movimentação natural.
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Além disso, o rejunte irá proteger as laterais das peças, vedando-as parcialmente. Isso minimiza a penetração de água e eventuais transtornos, como o descolamento dos revestimentos, que é outra causa comum para o aparecimento de fissuras. A aplicação de menos argamassa ou cola do que o especificado pelo fabricante pode causar o descolamento ou estufamento e, consequentemente, levar a uma ou mais trincas.
Outra hipótese é que a rachadura aparente seja reflexo de outra no contrapiso, que enfraquece o revestimento, levando-o a trincar. Revestimentos que não foram instalados em uma superfície nivelada tendem a ficar dançando nos pontos mais elevados e podem acabar rachando se forem submetidos a uma quantidade suficiente de pressão.
O excesso de umidade no contrapiso também pode causar pouca aderência das peças. Isso é muito comum em pisos de madeira, onde a umidade leva ao inchaço das réguas, que expandem e curvam-se nas extremidades, resultando no que chamamos de encurvamento. Toda esta tensão pode ser o suficiente para rachar o piso.
No caso específico do piso de madeira, a falta de umidade no ambiente também pode ser uma causa das rachaduras, pois as fibras se enfraquecem e a madeira racha. Rachaduras resultantes dessas condições costumam começar nas pontas das tábuas e são frequentemente acompanhadas por frestas excessivamente largas entre elas. Este é o caso mais simples de ser resolvido, com o uso de um umidificador.
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De forma resumida, as principais causas para trincas no piso estão relacionadas a erros de rejunte, argamassa, nivelamento do contrapiso e umidade. Todas podem ser facilmente evitadas com uma mão de obra especializada que faça o assentamento correto do revestimento. Por isso, sempre digo que não vale a pena investir em uma peça mais cara e querer economizar na instalação.
Para avaliar a causa exata da rachadura e como resolvê-la, é imprescindível a análise de um engenheiro civil. Cabe a ele a investigação, diagnóstico, tratamento e profilaxia, ou seja, evitar que novas rachaduras aconteçam. Em muitos casos, é necessário, sim, substituir a peça e realizar uma nova instalação conforme as normas técnicas previstas pelo fabricante. Por isso, digo e repito: é melhor prevenir do que remediar!